14/01/12

Dicas para candidatos e candidatas

Acredito na democracia, embora como pesquisador em Ciência Política faça severas críticas ao sistema político, partidário e eleitoral nos quais ela se baseia no Brasil. Em todo caso, enquanto não promovemos as mudanças essenciais, precisamos contribuir para o aprimoramento do processo eleitoral, começando pelo comportamento dos próprios candidatos. Um primeiro passo é conhecer e cumprir as “regras do jogo”.

Há mais de dez anos participo ativamente de eleições, não apenas na condição de candidato, mas também como consultor e coordenador, e posso afirmar que não se faz campanha sem emoção, mas não se ganha sem planejamento.

Nesse sentido, aqui vai uma dica: comece organizar seu trabalho estabelecendo um bom cronograma. Essa tarefa começa com uma constatação fundamental: não há data para iniciar um trabalho visando às eleições, mas há, obrigatoriamente, dia e hora para a eleição terminar. Parece óbvio, mas muitos ignoram esse aspecto e quando se dão conta perderam o fundamental: o tempo.

Um cronograma é um instrumento de planejamento que tem por finalidade organizar as atividades e ações necessárias durante um determinado período de tempo visando certos objetivos, no caso, sair vitorioso nas eleições. É preciso reconhecer que a disputa eleitoral é regrada e possui determinados prazos irrevogáveis e que tudo o que for feito (e o que deixar de ser feito) durante o período que antecede a eleição resultará positiva ou negativamente nas urnas, inevitavelmente.

Aproveite este inicio de ano para se organizar. Demarque a divisão entre pré-campanha e campanha oficial, definindo as ações e os prazos para cada uma delas. Assinale num calendário o dia da eleição e, partindo dele, trace uma linha do tempo retroativa, ou seja, assinale datas importantes que serão as referências, deixando claros os objetivos para cada uma das etapas a serem cumpridas.

Em 2012 as eleições ocorrerão no dia 7 de outubro. Sabe-se que o período de campanha oficial é de noventa dias antes, portanto, deve começar no dia 10 de julho; antes disso tudo é considerado pré-campanha e a exposição como “candidato” pode ser configurada como campanha antecipada e sofrer punição. Por isso, candidatura oficial só depois das convenções partidárias que ocorrem entre os dias 10 e 30 de junho.

Para não errar, busque orientação. O Tribunal Superior Eleitoral – TSE publica um calendário oficial em forma de resolução que trata dos prazos que deverão ser respeitados ao longo de todo período, desde a pré-campanha até o dia da eleição, estabelecendo para cada etapa as exigências legais e os procedimentos operacionais.

Do ponto de vista estratégico, tenha sempre em mente que o processo eleitoral atinge o auge no dia da eleição e tudo é feito para que naquelas poucas horas o candidato possa obter o maior número de votos possíveis. Na medida em que as eleições se aproximam o intervalo entre as ações vai diminuído até o ponto de não se ter mais que um dia para que algo aconteça. Esse movimento gera ansiedade e frustração quando as coisas não vão bem. Manter o equilíbrio até o fechamento das urnas é um desafio para qualquer candidato.

Por isso, uma maneira de diminuir esse descompasso emocional é planejar muito e conseguir cumprir o planejado, pois assim evitará o acúmulo e atropelo de atividades, ocupando-se a cada etapa e não se “pré-ocupando” desnecessariamente.

Outro fator importante é ter clareza quanto ao objetivo que vai orientar sua candidatura. Alguns fazem por obsessão, entrando num “jogo de vale tudo” apenas para conseguir o poder pelo poder. Outros fazem por acreditar na política como instrumento capaz de melhorar a sociedade. No primeiro caso, não importa muito os meios, desde que atinja os fins. No segundo, os meios são tão importantes quanto os fins. O clima e o espírito da campanha serão definidos, basicamente, por um desses dois objetivos.

Portanto, decida qual será o seu objetivo na próxima eleição.

Uma dica final: exceto nos casos de reeleição ou sucessão de governos bem sucedidos, acreditar em favoritismo antes da campanha eleitoral é um grande passo rumo ao fracasso. Por exemplo: Lula quase venceu em 1989 e, depois do fiasco Collor, foi o favorito para a sucessão até começar a campanha de 1994 chegando a picos de 60% de intenção de votos, mas, perdeu feio para Fernando Henrique já no 1º turno.

*Publicado no jornal Comércio do Jahu - 01/2012

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